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Dicas

Tratamento de estrias com a utilização da Microcorrente Galvânica.

Introdução

As estrias são “cicatrizes” adquiridas, e por muitos  são consideradas inevitáveis e normais, mas para nós profissionais da estética, devemos lembrar que a saúde relaciona também  o equilíbrio emocional e psicológico do paciente, as estrias são marcas irreversíveis que podem alterar a auto-imagem corporal e exclusão do indivíduo na sociedade por vergonha de mostrá-las,  e possíveis danos psicológicos  podem surgir em decorrência disso.rn

A utilização da corrente galvânica em estrias atróficas é um dos recursos mais utilizados, embora, existam poucos estudos sobre estas técnicas.

De acordo com os resultados significativos, observou-se que os principais objetivos desta técnica são: a promoção do aumento de fibroblastos em quantidade, uma neovascularização e normalização da sensibilidade dolorosa, o que atenderam as expectativas das pacientes e profissionais. 

 Notou-se uma regeneração tecidual (colágeno subjacente) semelhante à pele ao redor, disfarçando assim os aspectos de coloração e textura da estria.

Decorrentes das alterações nas fibras elásticas, as estrias podem surgir em ambos os sexos, sendo o grupo feminino atingido com maior freqüência.

SILVA apud GUIRRO e GUIRRO, 2004 citam que:

Em relação à caracterização das estrias, sete sujeitos relataram período de aparecimento das estrias na adolescência e três na gravidez. Em estudo realizado por Silva et al das 102 pacientes avaliadas tratadas pelas autoras, a maior incidência de aparecimento das estrias foi na adolescência (45,5%), seguido pela obesidade (30,5%), gravidez (19,5%) e medicamentos (4,5%).

 Principais teorias do seu surgimento

Mecânica: crescimento rápido (estirão de crescimento), obesidade (depósitos de gordura repentinamente), distensão abdominal rápida (gestação) podem exercer uma forte tensão, estirando a pele e promovendo a lesão e/ou rompimento das fibras elásticas.

Infecciosa: alguns autores acreditam que processos infecciosos podem causar danos as fibra elásticas.

Endócrina: atualmente é a teoria mais bem aceita, pessoas que utilizam medicamentos com hormônios adrenocorticais são predispostas para o surgimento delas, notou-se a relação dos esteróides com as estrias,  sendo o fator causador não relacionado com a patologia em si, mas sim dos medicamentos utilizados. Os esteróides podem promover condições favoráveis para o aparecimento das estrias e agem especificamente nos fibroblastos.

Os aspectos das estrias podem variar de acordo com o sexo, idade e condições da pele e do organismo, é comum elas apresentarem depressão devida a atrofia, diminuição da sensibilidade e diferença de coloração( diminuição da pigmentação). Inicialmente as estrias são rosadas ou até mesmo avermelhadas, sendo esta fase chamada de Estriae Rubro, é uma fase inflamatória e geralmente nesta fase a paciente irá relatar um leve prurido, o ideal é começar um tratamento nesta fase,( não são todos tratamentos que podem se iniciar neste período), os resultados podem ser mais benéficos.

A estria ainda não está com uma atrofia total e há presente no tecido capilares sanguíneos que permitem maior possibilidade de regeneração e melhora do aspecto. 

A estria é relatada na maior parte da literatura como sendo uma lesão irreversível. Essa irreversibilidade está embasada em exames histológicos, que mostram redução no número e volume dos elementos da pele, rompimento de fibras elásticas, pele delgada e redução da espessura da derme, com fibras colágenas separadas entre si. No centro da lesão há poucas fibras elásticas, enquanto que na periferia estas, encontram-se onduladas e agrupadas (CHERNOSKY e KNOX apud AZEVEDO, PITA e SCHÜTZ, 1964).

Após o período rosado a estrias se tornam esbranquiçadas, sendo chamada de Estriae Albicans ou nacaradas, são estrias mais antigas, apresentam depressão da pele e neste local a melanina já não é produzida pelo tecido estirado. rn

As estrias apresentam alterações nas fibras colágenas, nos fibroblastos e na substância fundamental amorfa, caracterizando-se assim como uma lesão dérmica inestética (KARIME, 2006).

 

Corrente Galvânica 

A corrente galvânica é uma corrente contínua e polarizada. Possui movimento unidirecional de elétrons, criando dois pólos distintos.  Mantém o circuito fechado através de um eletrólito o qual os íons se movimentam em direção aos pólos, de acordo com a sua polaridade e carga.

No pólo positivo (+) ocorre reação ácida, liberação de oxigênio, queimadura ácida, coagulação, vasoconstrição e sedação. Já no pólo negativo (-), há reação alcalina, liberação de hidrogênio, queimadura alcalina, liquefação, vasodilatação e excitação.

 Os principais objetivos da corrente galvânica na fisioterapia dermato- funcional é a produção de calor, melhora da circulação, estimulação do metabolismo celular e drenagem de edemas, sendo estes efeitos utilizados no tratamento de fibroedema gelóide, reparação tecidual e pré e pós -operatórios.

Corrente Galvânica nas estrias

Com os poucos estudos sobre esta técnica, os resultados são benéficos, tendo efeitos positivos em relação ao aspecto estético das estrias e supera as expectativas do paciente.

É um tratamento que exige  freqüência as sessões para bons resultados, e respeito ao tempo  de reações, fases inflamatórias e remodelamento do colágeno, sendo assim o tempo mínimo de 7 dias entre uma sessão e outra.

Na estria, o fibroblasto está quiescente, e com o estímulo elétrico da corrente (estímulo do pólo negativo + introdução subepidérmica) galvânica, ocorre à promoção eficiente para aumento da sua replicação bem como na melhora de produção da qualidade de colágeno.

De acordo com GUIRRO (1991), a pós a aplicação do estímulo elétrico da corrente galvânica, ocorre um aumento no número de fibroblastos jovens, uma neovascularização e retorno da sensibilidade dolorosa.

Este processo resulta no aspecto semelhante à pele, muito próxima ao normal, e as fibras colágenas ficam reorganizadas. 

A pele fica mais espessa e com mais quantidade de colágeno, fibroblastos e vasos sanguíneos.

 

Referências:

 

GUIRRO, ELAINE; GUIRRO, RINALDO. Fisioterapia Dermato Funcional, 3ª ed. Editora Manole, São Paulo, 2002

KITCHEN, Sheila. Eletroterapia: prática baseada em evidências. 11ª ed. Editora Barueri: Manole, 2003.

KARIME, GÉSSICA K G de M. Estudo comparativo por meio do método de varredura e galvanopuntura. Revista Fisio & Terapia. Ano X, n. 51, jul/ago 2006

 Por Vivian Veroneze- Fisioterapeuta da Clínica Allegra Estética

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